Como o diabetes pode estimular a neuropatia?

Entenda a relação entre as doenças e de que forma é possível prevenir o problema

Neuropatia é o termo médico usado para denominar lesões ou o comprometimento de nervos periféricos, que são estruturas em forma de fios responsáveis por conectar o sistema nervoso central aos demais órgãos e partes do corpo.

As pessoas que sofrem com esse tipo de disfunção dos nervos podem apresentar sintomas como dormência, formigamento, queimação, comprometimento da sensibilidade térmica, dor, entre outros. Isso porque os nervos periféricos cuidam da sensibilidade e parte motora das extremidades do corpo, principalmente das mãos e dos pés.

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A neuropatia periférica pode ter diferentes causas, mas a mais comum delas é o diabetes, condição crônica que tem como característica o aumento do nível de glicose no sangue. A hiperglicemia pode ser tóxica para os vasos sanguíneos e também para os nervos, o que leva à associação entre diabetes e o comprometimento dos nervos periféricos.

Diabetes e neuropatia periférica: qual a relação?

De acordo com a neurofisiologista Raquel Campos Pereira, do Diretório Científico de Neuropatia Periférica da Associação Brasileira de Neurologia, 7% dos pacientes com diabetes já apresentam algum tipo de neuropatia no momento do diagnóstico - a incidência da disfunção aumenta para 50% após 25 anos de doença.

"Estima-se que 20% dos pacientes diabéticos ambulatoriais e 30% dos internados tenham alguma disfunção ou queixa relacionada aos nervos periféricos. O Diabetes Mellitus é a principal causa de neuropatia periférica no mundo. Toda suspeita de neuropatia periférica inclui, obrigatoriamente, investigação de diabetes e síndrome metabólica", explica ela.

O endocrinologista Marcio Krakauer, presidente da Associação de Diabetes do ABC, também confirma a relação entre as duas doenças e ressalta que o controle adequado do diabetes pode ajudar na prevenção da neuropatia periférica.

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"Os nervos periféricos parecem fios encapados e o diabetes sem bom controle, ao longo do tempo, pode causar a perda dessa capa protetora do nervo, que nós chamamos de bainha de mielina, em consequência da glicose elevada no sangue por muitos anos seguidos. Portanto, cuidados adequados com os níveis de açúcar no sangue e do diabetes possibilitam a prevenção da neuropatia", explica ele.

Em paralelo, a neurofisiologista Raquel Campos Pereira sugere dieta balanceada e exercícios físicos para ajudar a manter os nervos saudáveis. "Sabe-se também que o tabagismo, etilismo, hipertensão arterial sistêmica, obesidade e hipercolesterolemia são considerados fatores de risco independentes para o desenvolvimento da polineuropatia no paciente diabético e, portanto, merecem ser combatidos", acrescenta a neurologista.

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A importância do check-up regular

É muito importante que as pessoas visitem o médico regularmente para exames de rotina ou caso percebam alguns dos sintomas da neuropatia citados anteriormente. Quanto mais cedo o diabetes for diagnosticado, maiores são as chances de preservar a saúde e integridade dos nervos periféricos.

Se você sente os sintomas ou conhece alguém que está passando por isso, acesse o site Escute Seus Nervos, que desde 2016 conscientiza a população sobre a importância do diagnóstico da neuropatia no Brasil.

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"O único jeito de prevenir ou evitar a neuropatia é tendo o controle adequado do diabetes, desde o começo da doença. Geralmente, os diabéticos do tipo 2 descobrem a doença tardiamente, de 3 a 10 anos após ela já ter começado a afetar os nervos. Por isso, pessoas que conseguem descobrir a doença rapidamente em exames de rotina conseguem evitar a neuropatia por controlarem corretamente o diabetes", explica o endocrinologista Marcio Krakauer.

O nível de dor que a neuropatia periférica pode gerar, quando não tratada corretamente, é muito severa, podendo ser incapacitante. Por isso, o controle dos fatores de risco, como o diabetes, e da própria disfunção dos nervos é tão importante, já que evita a perda total da qualidade de vida do paciente diagnosticado.

"Para evitar consequências mais graves, é fundamental aderir a um bom tratamento, visitando os médicos regularmente e fazendo todos os exames necessários. Além disso, é importante manter a qualidade de vida com uma boa alimentação, prática de atividades físicas, ingestão de água e rotina de sono de qualidade. Discutir e contar com a ajuda do médico para saber que tratamento dá ou não resultado e acompanhar de perto a doença são as melhores formas de se conviver melhor com a neuropatia", conclui o endocrinologista.